19 fevereiro 2009
Macacos entre os leitores
Aí, um jornal nova-iorquino satirizou recente incidente onde um chimpanzé foi morto a tiros pela polícia: uma charge mostra o chimpanzé morto e um policial dizendo ao outro, "vamos ter que encontrar outro para escrever os pacotes de incentivo econômico".
No saite dO Globo On, o que não falta à notícia são comentários irados (43 até agora), acusando o jornal de extremo racismo contra o Obama.
Convém não esquecer que não é o próprio Obama quem escreve as leis que aprova; que o verdadeiro Autor é o Congresso.
Acho que o racismo está na cabeça de quem comenta. De onde estou vendo, eles confessam que consideram o Obama comparável a um macaco -- não necessariamente o cartunista considera.
Recém-lidas:
Justice League of America #166 (maio de 1979) e #167 (junho de 1979), ambas publicadas em Coleção DC 70 anos no. 5 (setembro de 2008).
EOF
18 fevereiro 2009
Primeiro grande resmungo sobre o Aborto Ortográfico
Uma das dificuldades com que já me deparo é que não posso confiar no texto do próprio Acordo conforme baixei do saite da Presidência. Granted, os textos legais de lá sempre dizem que não substituem o original publicado no Diário oficial. Mesmo assim, quem é que vai ler direto no D.O.? A gente baixa e confia. Exceto que não.
Por exemplo: em português, é proibido usar pronome oblíquo depois de vírgula. Isso não tem nada a ver com ortografia; é regra de sintaxe. Mas veja o que encontrei no texto:
"... entre os princípios em que assenta a ortografia portuguesa, se privilegiou o critério fonético..."
Além disso, encontrei alguns casos de vírgula entre sujeito e predicado (uma heresia que nem a tiro de canhão 37 a gente consegue extinguir) e a estranha esquizofrenia segundo a qual, às vezes, o texto suprime o trema em sua própria redação (antecipando aquilo que ainda não estava em vigor), mas outras vezes não.
Nesse ponto, pergunto-me se estou estudando no exemplar correto do Acordo. Mas, então, onde?! No saite da Academia Brasileira de Letras, talvez? Lá não tem.
***
Ontem, uma advogada veio me dizer que, agora, cocô não vai mais ter acento. Eu contestei que sim, vai continuar a ter acento sim, já que é oxítona terminada em o. E fiquei indignado: como poderiam, como ousariam tirar os acentos das oxítonas terminadas em a, e, o? Não pode; a tendência natural da língua portuguesa é fazer de todas as palavras paroxítonas, o que faz com que essas oxítonas tenham que ser acentuadas para indicar que saem do padrão. Com a displicência de quem vê que vai levar o xeque-mate, ela saiu dizendo que não sabia e que, segundo o Globo Esporte, não saberemos mais o que estaremos comendo: se côco ou se outra coisa.
Primeiro: então Globo Esporte virou autoridade em matéria de ortografia?
Segundo: essa anedota (real embora) revela um aspecto mais profundo e mais nefasto do Acordo Ortopédico. A esta altura, já tem gente acreditando que TODOS OS ACENTOS VÃO CAIR! Para alguns, seria muito conveniente não ter que acentuar mais nada: não precisariam aprender aquilo que nunca souberam.
***
Apidêite do apedeuta: na caixa de comentários, aqui no final deste texto de hoje, você vê o estranho caso de uma professora que declarou a sua turma que não vai ensinar-lhes a reforma e que, na verdade, a reforma oficial mesmo é só em 2010. Não sei de onde ela tirou que o Acordo não seja oficial, nem de onde sacou 2010. Se tivesse lido o texto do Acordo, veria que o fim da transição é em 2012. Aliás, deve ser de propósito, para coincidir com o fim do mundo conforme o calendário maia e, assim, ninguém ter que aprender nada.
Agora, essa "professora" mostra uma atitude comuníssima em brasileiros, especialmente os que declaram imposto de renda: vai deixar para o último minuto, e nem um segundo antes. Uma vergonha.
***
Procurando por outra coisa, deparei-me com esta coleção de pequenos textos de George Orwell. Se você clicar neste linque que estou fornecendo, vai cair em um ensaio interessantíssimo, publicado em 1945, ainda atualizado (como, de resto, 1984 também está) e chamado Politics and the English Language. Trata-se de uma sagaz análise sobre como a língua inglesa está se deteriorando e como essa deterioração facilita, ou melhor, é aproveitada para finalidades políticas escusas que acabam por retroalimentá-la positivamente.
A leitura é fluida e acaba servindo como uma versão resumida do apêndice de 1984 (inédito à época mas perto de ser concluído), no qual Orwell descreve a criação do Newspeak, a "nova linguagem" do Partido de sua distopia. Faz tempo que estou com vontade de traduzir as passagens mais relevantes desse apêndice, que é uma espécie de manual do método mediante o qual o Partido pretende reduzir a possibilidade de discursos não ortodoxos. Extinguindo-se palavras da língua e amarrando-se a sintaxe, torna-se impossível a formulação de certos conceitos. De fato: se você não tem um nome para sua idéia, você não consegue comunicá-la a outros e, na verdade, será impossível conduzir raciocínios com ela. Efetivamente, a idéia se tornará inconcebível. Diferentemente das demais línguas, Newspeak não pretende expandir, mas limitar a variedade de pensamentos possíveis.
Em particular, há um trecho do ensaio que ecoa com precisão uma passagem do livro. É onde ele menciona que, ao meramente repetir o discurso ortodoxo, você se torna um autômato, e sua laringe emite sons sem que o cérebro disso se aperceba, anestesiado como está. Se a luz bater no seu óculos e fizer determinado reflexo, vai parecer que o óculos são discos brancos, sem olhos por trás, indicando que ali não há uma pessoa. Ora, essa é exatamente a descrição que ele faz de um sujeito que repetia o discurso vazio do Partido na segunda cena do refeitório em 1984.
***
Recém-lidas:
Superman #292 (outubro de 1975), primeira história, publicada em Superman 70 anos no. 3 (dezembro de 2008);
The Flash Spectacular (DC Special Series #11, fevereiro de 1978), publicada em Coleção DC 70 anos no. 4 (agosto de 2008);
Batman Spectacular (DC Special Series #15, verão de 1978), terceira história, publicada em Coleção DC 70 anos no. 6 (outubro de 2008).
EOF
09 fevereiro 2009
Chewbacca defense at the Academy
Pois é, como dizia meu professor de Direito civil, um lodaçal. Base XI, item 2o., alínea "a", exemplifica uma regra para proparoxítonas com a pura expressão de como me sinto: "sôfrego, sonâmbulo, trôpego".
O texto do Acordo, conforme baixei da página da Presidência, vem com alguns erros de transcrição que me fazem perder a fé nesse que é o conteúdo oficial divulgado pelo governo. Então, fui procurar o mesmo texto na Biblioteca Nacional. Para minha alegria, de lá salvei um PDF, que, depois constatei, sofre de mutilação textual: algumas linhas foram suprimidas e delas só vemos as cabecinhas de algumas letras. Deve ter sido na conversão de Word para PDF.
Amargurado, procurei o saite da Academia Brasileira de Letras, o STF de nossa língua, Grandes Pajés da tribo, doutos exegetas das Tábuas da Lei, autoridades máximas a quem nos voltarmos em momentos de grande comoção, confusão e consternação nacional.
Olha só o que encontrei na página de apresentação da ABL!
"Composta por 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta e 20 sócios correspondentes estrangeiros, (...) tem por fim o cultivo da língua e a literatura nacional."
Que me perdoe o Alex Castro, mas este é um momento em que não se pode errar no português. Saite da ABL não é notinha de rodapé nem aula de Matemática. Então, vali-me de um serviço que a Academia oferece, no qual você manda sua dúvida de Português e a instituição responde. Taqui a missiva.
"Na página de apresentação da ABL ('Quem Somos'), encontra-se o seguinte trecho:
"'Composta por 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta e 20 sócios correspondentes estrangeiros,'
"Minha dúvida é: não falta uma vírgula após o aposto? Assim: '40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta, e 20 sócios...'
"Uma segunda dúvida é motivada pelo seguinte trecho: 'tem por fim o cultivo da língua e a literatura nacional'.
"Conforme está redigido, o texto poderia reduzir-se a dizer que a ABL tem por fim o cultivo (da língua) e a literatura. O cultivo e a literatura. Há simetria nesse texto? Não seria mais cabível dizer '... o cultivo da língua e DA literatura nacional'?
"Uma terceira dúvida: se a missão da Academia é a preservação (ou, em suas palavras, o cultivo) da língua, não deveria sua página de apresentação ser a primeira a dar o exemplo? É bem verdade que o texto continua compreensível conforme está, mas seu objeto não é outro assunto, nem a língua é nele meramente instrumental. De fato, é a página de apresentação, a oportunidade primeira de se estabelecer um padrão e demonstrar autoridade sobre a matéria. Se falhar a ABL, bastião mais nuclear da língua, é que nada mais há. A ela se volta o cidadão em busca de raízes -- para sua frustração.
"São minhas dúvidas para hoje."
Cabe um debate sobre a melhor concordância: "da língua e da literatura nacionais"? Mas preferi não entrar nisso; a falta de simetria era mais chocante.
Veja bem, não estou criticando alguma página informal da Web. Saite da ABL é coisa séria; é lugar onde eles têm que ser os primeiros a dar o exemplo. O padrão para eles tem que ser muito mais alto do que para mim, porque eles têm que ser o padrão.
Se for para fazerem como está, melhor fechar a porta e ir pra casa. Se bem que, conforme ouvi quando comentei isso, o Brasil inteiro tem que fechar a porta e ir pra casa.
***
Apidêite em 15/02/2009: hoje recebi um email de resposta da Academia: "concordamos com suas palavras". Mas não mudaram nada no saite!
EOF
A transitoriedade da arte
Deparando-se com uma tábula rasa para a arte toda vez que sai com seu carro, Scott gerou este magnífico resultado.
Recém-lida: Justice League of America #122 (setembro de 1975).
EOF
07 fevereiro 2009
Talvez um disruptor assustasse mais
O melhor são os comentários:
"A 7-Eleven tinha que mandar os caixas guardarem tribbles atrás do balcão para eventualidades como essa."
"Sim, mas o grão não pode estar envenenado."
"Essa é uma boa hora para a 7-Eleven usar borgs como seguranças. 'We are the Borg. Robberies are futile. You will be assimilated into prison. Existence, as you know it, is over . From this time forward, you will service inmates in prison.'"
"This man shows no honor, and brings disgrace upon his family."
"Aposto que havia bloodwine envolvido."
"É uma pena ver que a crise abalou até o Império Klingon a ponto de recorrerem ao crime."
"Isso já aconteceu no episódio 55. Acho que os romulanos estão envolvidos e deveriam ser investigados."
"Today is a good day to rob!"
***
Apidêite
Alguns especialistas atentos denunciaram que não era realmente uma bat'leth, mas uma Valdris. Não era sequer uma arma klingon. Falha minha, pois eu deveria saber disso. Afinal, klingons não são manés.
EOF
06 fevereiro 2009
Bioética para quem gosta de saifai
Abstraindo de governos totalitários e seus padrões eugênicos (Admirável Mundo Novo, alguém?), muita gente concordaria em se valer disso. Eu sou um deles. Afinal, você aproveitaria toda chance de evitar que seu filho nascesse com alguma doença séria, ou autismo, síndrome de
Down, diabete ou mesmo alguma perturbação menor, como miopia. Queremos o melhor para nossos filhos, não é verdade?
Mas para quem faríamos isso? No momento em que interfere no genótipo, você pensa que está favorecendo seu filho. Está mesmo? Considere que ele ainda não existe. Você não está dando nada a ninguém, porque o donatário não está lá para receber. "Ah, mas está sim, estará aqui no futuro, vai aproveitar os benefícios no futuro." Sim, mas seu filho, hoje, não recebe nada, porque não existe. Existe um conjunto de células, ou apenas uma célula, com a qual você interfere. A conseqüência é uma criança saudável, mas a criança saudável já nasce assim. Para ela, nunca houve um estado não saudável, nem mudança de um estado para outro. Ela sempre foi saudável. Você poderia pensar, "tem que me agradecer por isso, sem interferência não teria nascido assim". Não teria, mas teria nascido de algum jeito. Ou não teria nascido. Para ela tanto faz, porque, seja como for que nasça, dali para a frente ela vai se virar, vai continuar existindo. O filho dirá lìcitamente ao pai: você não ME fez nada. Fez alguma coisa, mas não a mim, porque não havia eu. Qualquer coisa que tenha sido feita à criança, só terá sido feita depois de seu nascimento (essa vírgula era proibida, mas útil à compreensão da frase).
Considere, ainda, que o embrião não teve escolha nem foi ouvido. Imagine a possibilidade de que, afinal, ele escolhesse nascer como Down. A convenção social dirá que ele seria infeliz e que essa escolha não faz sentido. Mas lembre-se de que o Down pode não saber que é Down. A vida nunca foi de outro jeito para ele, assim como o cego que nasce cego não sabe o que é enxergar, nem, portanto, tem padrão de comparação. A vida, para eles, sempre foi isso, então é possível que estejam satisfeitos. É como a Matemática do colégio onde estudei, que era ensinada pelo método
Papy. Diziam-me: esse método é mais difícil, não é? E eu, perplexo, perguntava: mais difícil do que o quê? Não conheço outra; para mim, Matemática é isso.
Se o embrião não tem escolha, será que o estamos beneficiando? Se o embrião ainda não é gente (aliás, não é nem embrião: é zigoto), não existe ainda a pessoa. Na óptica do Direito, não existe o sujeito de direitos; ele não tem direitos nem liberdade, porque, antes de tudo, ele não é. Não confunda com uma situação em que a pessoa está dormindo, ausente, em coma ou de outro modo incapacitada. "Você não estava, então eu tomei a liberdade de lavar a louça." "Você ainda estava na barriga de sua mãe, então reprogramamos suas células." Não. Nessas frases, não haveria o "você" nem o "suas". Ninguém é destinatário dessas ações, porque a pessoa não existe, nem sequer o feto. Não há ninguém na barriga da mãe.
Mas estamos beneficiando alguém. Precisando de uma resposta, meu foco se volta para o outro interessado: os pais. Submeto esta hipótese a sua apreciação: ao escolher características genéticas do filho, os pais não beneficiam o filho; beneficiam a si mesmos. Preocupam-se com suas escolhas, com seu bem-estar, seu alívio de ter um filho com tais ou quais atributos. Atenção: não estou dizendo que estejam errados, nem estou dizendo que não amam os filhos. É só que, enquanto o filho não nasce, não há nem o "a quem" amar. Estou só apontando quem realmente é o interessado na manipulação genética. Se pensarmos no filho, a pergunta nem se aplica: enquanto ele nem existe, não faz sentido dizer que o "quem" seja ele. Ele só existe depois que já houve a manipulação.
***
Em outro tópico, estive novamente no KFC da rua São José, no Centro do Rio de Janeiro. É impressionante: de todas as vezes em que fui lá e pedi uma refeição, nunca acertaram meu pedido. Eu digo: feijão, salada KFC e purée de batata. Eles trazem arroz, salada KFC e purée de batata. Ou: feijão, salada KFC e arroz. Ou: feijão, salada KFC e farofa. Ou: feijão, arroz e batata frita. É consistente mesmo, tem direito até a certificação ISO 9000: erram meu pedido em 100% das vezes.
Pergunta Tostines: eles são desqualificados porque o salário é baixo ou o salário é baixo porque são desqualificados? Do alto de minha crueldade resmungona liberalista, acredito na segunda hipótese. A óptica do coitadismo preferirá a primeira.
Beiços-caídos no KFC me fazem pensar em eugenia profilática.
***
Recém-lido: Reason, conto de Isaac Asimov onde, a partir do raciocínio lógico, um robô se torna um fanático religioso.
EOF
Os encargos suspensos
Olhem só esta. O Yahoo! Brasil reproduz a Agência Estado, que teria criado a seguinte matéria.
http://br.noticias.yahoo.com/s/06022009/25/mundo-juiza-retira-acusacao-prisioneiro-guantanamo.html
O texto diz assim: "A juíza Susan J. Crawford, que supervisiona os julgamentos por terrorismo na base militar norte-americana de Guantánamo, retirou ontem as acusações contra (...) um suposto terrorista saudita da Al-Qaeda (...)"
Juízes não "retiram acusações". Juízes julgam. Quem acusa (ou "retira acusação") é uma das partes do processo -- no Brasil, é o Ministério Público, que, aliás, está impedido de "retirar acusações". Lá não sei quem faz isso. Sei que é um órgão estatal, mas o que importa é que não é a própria juíza.
O texto prossegue: "Os encargos contra al-Nashiri representavam o último caso em andamento por crimes de guerra..."
Não tem algo soando estranho, não? Que "encargos" poderia haver contra ele? Em casos assim, costumo retraduzir para o inglês. "The charges against al-Nashiri..." Charges são acusações, não "encargos". Sabe o que foi que causou isso, né? O bom e velho controlcê-controlvê. Usa-se um programa de tradução automática (Babylon, Babelfish etc.) e joga-se no texto aquilo que sai, sem nenhuma crítica.
Mais adiante, a matéria diz que "O porta-voz do Pentágono Geoff Morell disse que Susan retirou as acusações contra al-Nashiri sem entrar no mérito do processo." Isso confirma minha dedução acima: de que a juíza extinguiu o processo desconsiderando as acusações, mas não as "retirando". Está faltando técnica. Está faltando, mais do que tudo, PESQUISA. Olha só o que diz o texto original (que achei aqui): "On Thursday, two Obama administration officials said that the charges against al-Nashiri will be dismissed without prejudice. That means new charges can be brought again later." "Dismiss" uma acusação não é "retirá-la", mas desconsiderá-la, deixar de julgá-la.
O Cardoso tem razão: os caras querem ter conteúdo, mas só o que fazem é repetir o dos outros, sem nenhuma contribuição própria, sem dedicar um iota a pensarem no que estão escrevendo. Fala-se muito em reações rápidas, mas não adianta reagir rápido se só o que sai são barbaridades.
Agora, entrando no mérito. Alguns dias atrás, eu soube que o Obama tinha mandado suspender os processos contra os prisioneiros de Guantánamo. Quem olhar de fora pode pensar que isso é uma indicação de mudança de ânimo no sentido de libertá-los. Mas observe um detalhe: se o réu está preso, o que mais lhe interessa é que o processo ande. Assim haverá resolução e ele ou irá logo para a rua, ou ficará preso mais tempo -- mas terá uma duração definida para sua pena, cujo cumprimento começa a contar imediatamente. Já se o processo é suspenso, ele continua preso indefinidamente, sem ainda ter iniciado o cumprimento de sua pena, estendendo um tempo de prisão que não conta (aos bacharéis: estou presumindo que não haja detração penal [CP, art 42] nos Estados Unidos, ou que, havendo, eles não a apliquem aos terroristas). Muito ruim para ele. Então, isto que é anunciado como grande salvação pode ser, na verdade, um agravamento da situação desses presos.
Recém-lidas:
Detective Comics #439 (março de 1974), primeira história;
Wonder Woman #214 (setembro-outubro de 1974), primeira história.
EOF
03 fevereiro 2009
A geração Y e o distúrbio de deficit de atenção
http://oglobo.globo.com/economia/seubolso/mat/2009/01/31/comeca-chegar-ao-mercado-turma-que-nao-conheceu-mundo-sem-internet-754222883.asp
Ela diz que "A capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo é uma das características desses jovens, que cresceram em meio à velocidade e enxurrada de informações da era digital."
Discordo fundamentalmente. Não, essa capacidade não é uma das características deles. Pelo que tenho constatado no ambiente de trabalho e como leitor dos textos dos outros, essa geração, que já nasceu com DDA, na verdade não consegue fazer sequer UMA tarefa ao mesmo tempo. Sai tudo errado.
"Nascidos a partir da metade dos anos 80, aprendem e se adaptam a novas situações com facilidade."
Aqui tenho outra discordância. Não, eles não se adaptam com facilidade. Eles não se adaptam, ponto. Ficam só te olhando e querem tudo pronto.
"Proporcionalmente, são mais ousados e criativos."
Ousados são, como todo adolescente. Criativos nunca. Aliás, é pior: não apenas imitam descaradamente como esperam que você os premie pela suposta criatividade. Questionados, reconhecem quem teve a idéia primeiro, bem como o fato de que sabiam disso, mas não admitem que estejam copiando!
Conheço uma moça que, embora seja da minha geração e não da Y, não conhece o conceito de criatividade. Ela tinha o estranho hábito de copiar textos dos outros e apresentá-los como próprios. Parecia julgar que, se trocasse o nome do Autor pelo dela, automàticamente o texto passaria a ser dela, como ela gostaria que tivesse sido. Certa vez, mostrei-lhe alguns desenhos de naves espaciais que eu havia feito. Respondeu-me elogiando e perguntando de onde eu os havia copiado. Mas não perguntou em tom de deboche, não: de boa fé, ela realmente acreditava que fosse impossível alguém criar alguma coisa; que, òbviamente, se alguém lhe mostra um desenho (bonito ou feio), é que necessariamente copiou de algum lugar. Imagino que seu cérebro fosse incapaz de alcançar o conceito de que alguém tinha que ter sido o primeiro. Senão, seria como esclareceu o sábio hindu: "it's turtles all the way down".
***
Em outra nota, o governador do Illinois, Rod (ou Rob, as fontes divergem) Blagojevich, perdeu o cargo em razão da dificuldade de pronúncia de seu nome. A primeira-ministra da Islândia, Jóhanna Sigurðardóttir, mostrou-se preocupada por ser a próxima.
***
Recém-lidos:
Runaround, conto de Isaac Asimov;
Superman #233 (janeiro de 1971), primeira história;
Superman #247 (janeiro de 1972), primeira história;
Batman #250 (julho de 1973), terceira história;
Batman #251 (setembro de 1973).
EOF
30 janeiro 2009
Interpretando a Bíblia
Considere que, naquele tempo, o conhecimento científico era muito incipiente e carente de método. O mundo era grande fonte de assombro; em tudo se via a mão sobrenatural, divina ou otherwise. Além disso, nós, humanos, temos o vício de não narrarmos os fatos objetivamente, mas transmitindo já a nossa própria visão deles, eivada de sentimentos e julgamentos.
Considere, também, o episódio de I Crônicas 13 em que a Arca da Aliança estava sendo transportada em um carro de bois. Um dos bois tropeçou, a Arca quase caiu do carro, e o garoto hebreu Uzá, que vinha caminhando ao lado, estendeu a mão para evitar que ela caísse. Dizia a regra divina que era proibido tocar na Arca. Diz a narração que o pobre Uzá foi imediatamente fulminado por um raio.
Considere, ainda, que a Arca era revestida de ouro e que ela e o carro de bois eram feitos de madeira. Considere, finalmente, que, por décadas e séculos, ninguém tocara na Arca diretamente: só nas varas de madeira com que era transportada.
A madeira é um isolante elétrico. É concebível que, com o roçar das varas e carros durante tanto tempo, a superfície da Arca tenha acumulado um bocado de carga eletrostática. Um dia, o camponês Uzá, certamente descalço sobre o chão do deserto, toca a Arca com seus dedinhos -- e fecha o circuito de aterramento. A descarga flui imediatamente por seu corpo, causando parada cardíaca. Como ninguém sabe fazer ressuscitação cardiorrespiratória, Uzá morre. É claro, isso é só uma hipótese. Não sei quanta carga o revestimento de ouro sustenta sem romper o dielétrico.
Outra explicação plausível para mim é um pouco mais elaborada e exige que o boi não tenha tropeçado tanto quanto ficado inquieto. Considere que uma Arca, sendo transportada pelo deserto, projeta-se uns dois metros acima do chão, destacando-se na paisagem. Suponha que estivesse ameaçando chuva (o que é raro mas acontece). Com o acúmulo de eletricidade estática no ar, forma-se um pouco de ozônio, cujo cheiro os sensíveis animais logo percebem (até nós: é o “cheiro de terra molhada” de antes da tempestade). O boi fica inquieto, a Arca quase cai, Uzá estende a mão e, com isso, conecta a Arca à terra. A Arca atua como um pára-raio, rompe o dielétrico (ainda mais porque está carregada há anos) e um raio realmente cai em cima do garoto.
É claro, isso são apenas hipóteses. Não tenho como testá-las, mas os Mythbusters têm. Nem sou tão bom em Eletricidade, cujo ramo da Engenharia era minha última opção ao fim do curso básico (acabei indo para a mecânica, que era a primeira).
Se eu não for apedrejado por causa dessa mensagem, pretendo vir aqui outro dia e reinterpretar a idade de Matusalém e o Sol parado de Josué. Uma dica: calendários.
***
Recém-lidas:
Robbie, conto de Isaac Asimov;
The Flash #155 (setembro de 1965);
Wonder Woman #163 (julho de 1966), primeira história;
The Flash #165 (novembro de 1966);
The Flash #179 (maio de 1968);
Wonder Woman #178 (setembro-outubro de 1968 -- até agora, a história mais influenciada pela Contracultura dos anos 60);
Justice League of America #77 (dezembro de 1969);
Green Lantern #74 (janeiro de 1970)
... e, com isso, acabei a Era de Prata. A qualidade das histórias já está melhorando.
EOF
23 janeiro 2009
A má vontade que move o mundo
Chegando ao caixa às 22:11 h, brigadeiro custava R$ 11,90. Perguntei à Operadora Roberta por que ali eram R$ 11,90 se, na geladeira, eram R$ 10,90. Ela veio com o caô de que brigadeiro era mais caro e que o preço anunciado era só para os outros. Retruquei que não: que ele estava sem preço e, portanto, o preço mais baixo valia para ele também.
A operadora chamou a supervisora, que, primeiro, confirmou a uniformidade de preços. Mesmo assim, por insistência da maldita operadora (como se fosse ganhar comissão em cima de 1 real), a supervisora foi até a geladeira. Vi que ela procurava um preço diferenciado para o brigadeiro, sem sucesso. Voltou devagar, certamente pensando em algum jeito de sacanear o consumidor. Chegou dizendo que, como o brigadeiro estava na geladeira da direita, o preço de R$ 10,90 não valia para ele.
Eu poderia ter argumentado que (1) outros, para os quais os R$ 10,90 valiam na geladeira da esquerda, estavam na da direita também, o que não mudava seu preço; que (2) brigadeiro estava sem preço, então o cliente tem que adivinhar quanto é?; e que (3) brigadeiro sem preço, anúncio de Kibon 2 litros sem especificar sabor, é óbvio que o preço do anúncio vale para brigadeiro também.
Mas eu não disse nada disso. Só a encarei firme e disse, “então vamos fazer o seguinte. Por causa de 1 real, vamos estornar R$ 11,90. Tá bom pra você?”
Ela fez sem discutir, mas, no caminho pra casa, fiquei pensando que havia feito muito pouco. Eu devia ter simplesmente largado tudo mais em cima do balcão e ido embora sem levar nada. Afinal, se eles estão de sacanagem, também eu devia estar. Devia ter largado tudo ali em cima, só para terem o trabalho de guardar tudo de novo. É verdade que, em vez de me vingar em cima da empresa, eu estaria me vingando em cima dos empregados, mas foram os empregados que me trataram mal, com antipatia e criatividade em me aborrecer.
Pensei mais: que esse é o comportamento de todas as empresas que lidam com consumidores no Brasil. Presume-se que o consumidor (jamais cliente) esteja errado, procuram-se formas de aborrecê-lo, abusa-se da desvantagem logística da pessoa física. Por acaso vai falir o Multi Market se, uma vez só, admitirem o erro e me deixarem levar o sorvete pelo preço que me prometeram? Vai CAIR A MÃO se tirar um reÁU do preço final? Faltava menos de uma hora para fechar o mercado, ninguém mais ia levar sorvete em dia de chuva forte, era só explicitar o preço diferente na manhã seguinte. Mas não: por preguiça, por aleivosia, por espírito emulativo, só o que lhes ocorreu foi estimular mais um pouco a reação de Michael Douglas em Um Dia de Fúria.
Compare com as práticas da Amazon.com. Um livro demorou 61 dias para chegar. Escrevi reclamando, e simplesmente mandaram outro. Acabaram chegando dois e perguntei-lhes se queriam o segundo de volta. Recusaram e sugeriram que eu o doasse a uma biblioteca pública.
Sei que estou levantando muito o sarrafo da comparação. Mas ilegalidades como a do Multi Market se repetem todos os dias com cada um de nós, várias vezes por dia, neste País abençoado onde o Direito do consumidor só existe no papel. Quando aprendo formas de combater esses pequenos massacres, constato que não há relações jurídicas, mas apenas relações de poder. As reações são sempre retaliaçõezinhas, como vir aqui escrever isto ou negociar, na hora, quem sai perdendo mais: eu, R$ 1, ou eles, R$ 41 (se bem que essa é uma batalha que já começa perdida, porque as empregadas não sabem fazer conta e, pior, não se importam. Nem se importa a empresa, principal interessada: se eu não levar, algum favelado leva mesmo).
“Mas, Atoz, por que você não procurou o gerente?” Arrã. O Multi Market já deixara evidente a sua posição. Você sinceramente acredita que, em um supermercado com essa conduta de preços e essa negligência em expô-los,o gerente vai ficar do meu lado em vez de sustentar a história de operadora e supervisora de caixa?
Agora, o que o Multi Market ganha com isso? Ganha que vou passar a ir mais vezes ao Extra, ao Ultra, à Sendas, ao Campeão, ao Tijuquinha e às padarias da região. Eles jogaram fora uma excelente oportunidade de conquistar um cliente. Bastaria estornar, lançar o valor correto e pronto, o cliente satisfeito tende a voltar. Veja o Hortifruti, por exemplo. Se compro um pão no Hortifruti e o pão mofa antes da validade, basta procurá-los com a nota fiscal que eles trocam sem fazer perguntas. Com isso, mesmo o Hortifruti sendo mais caro, eu tenho a tendência de ir comprar lá.
O Multi Market mantém aquela atitude antiga dos comerciantes brasileiros: de que o comércio é uma guerra contra o consumidor, onde o mercado tem que fazer tudo a seu alcance para levar as menores vantagens em tudo. A visão embotada não enxerga que, abrindo mão de R$ 1 que não é dele, o mercado ganharia R$ 41 de mim.
Praga de Atoz surte efeito. Eu sinceramente desejo que aquelas duas percam seus empregos e morram sentindo dores e que o amaldiçoado Multi Market acabe fechando.
EOF
20 janeiro 2009
Saindo do berço
Aqui no Rio de Janeiro, a posse do Obama foi tão importante que o prefeito decretou feriado. Ninguém trabalhou.
***
Você nunca quis saber quem fazia os uniformes dos supervilões? Então. A resposta está em Flash Comics #155 (setembro de 1965): “O desafio dos supervilões!”, publicada no Brasil em Coleção DC 70 anos no. 4 (agosto de 2008). Quando o Mestre dos Espelhos foge da prisão, acompanhamos seus pensamentos:
“Com certeza serei apanhado num pulo com estes trapos da prisão! Tenho que conseguir uma roupa nova! E sei exatamente onde!
“Logo, numa região sórdida da cidade...
“Lá está! O alfaiate que costumava fazer fantasias pra supervilões foi trancafiado pela polícia! Mas soube pelos rumores que seu aprendiz, chamado Leach, tinha aberto essa nova loja num lugar diferente!”
Aí está. Agora você sabe.
***
Quando ouvi esta gravação, alguns dias atrás, fiquei emocionado. Adivinhe o que é.
Isso é a digitalização do original feito por dois irmãos radioamadores italianos, que, ao ouvirem falar do lançamento do Sputnik I, montaram um equipamento rude, porém suficiente para passarem o restante da corrida espacial ouvindo todas as comunicações abertas de soviéticos e americanos. Acumularam quilômetros de gravações, entre elas isso que você ouviu: as emissões do primeiro satélite construído pela raça humana, lançado em outubro de 1957. Preservadas em meio digital, evocaram-me tudo que já li sobre a Era Espacial e seus efeitos inevitáveis em nosso futuro (parte do qual já é nosso passado). Tão simples, o sinal apenas afirmava que sua fonte estava ali e mais nada, mas, para mim, esse é o som de quando eclodimos o ovo. Nas palavras de Tsiolkovsky, assim começamos a sair do berço.
***
Saindo do berço em outro sentido da expressão, este é o primeiro vídeo que subi para o YouTube (se não abrir, tente http://www.youtube.com/v/50pup9L-ES4 ).
Fui eu mesmo que filmei quando fui ao Flying Legends em 12 de julho de 2008. O Flying Legends é um evento anual que acontece em Duxford, Inglaterra, em uma antiga base aérea da RAF (aliás, a primeira base a receber Spitfires, no longínquo 1938). O vídeo mostra a preparação para o encerramento do show, quando decolaram juntos todos os caças da II Guerra Mundial que voaram no evento (primeiro os da Marinha americana, depois os da USAAF e, por último, os Spitfires). Em seguida (mas isto não está nesse filme, só em outro), fizeram um grande Balbo sobre o campo: 26 caças em formação, em uma longa fileira. Vou ver se subo esse outro mais tarde.
***
Recém-lida: Green Lantern #31 (setembro de 1964), primeira história.
EOF
18 janeiro 2009
Diário de consumo
As concepções fenomenológicas elementares do Estado e do Direito, de André Ricardo C. Fontes, publicado em Cadernos da Escola da Magistratura Regional Federal da 2a Região - EMARF, v. 1, n. 2 (outubro de 2008-março de 2009);
Superman #164 (outubro de 1963), primeira história;
Superman #167 (fevereiro de 1964).
Recém-visitados:
http://discipulodarazao.com/
http://skeptoid.com/
http://ceticismo.net/
Na caixa acústica:
Carly Simon, Libby, Cow Town e Riverboat Gambler;
Camel, Freefall.
EOF
15 janeiro 2009
Gente que afirma demais e gente que afirma de menos
É verdade que nós, não outrem, somos responsáveis pelo que nos acontece. Mesmo assim, a meu ver não se justifica a animosidade desses sindicalistas contra sua própria base. Se julgam que estão sendo pisoteados e massacrados pelo capital, ora, que se queixem contra o capital, não contra a mão-de-obra. Se o trabalhador está sendo privado de melhores condições, não é por obra de outro trabalhador.
Qual será a reação natural de quem está ao alcance dos alto-falantes? A minha é de querer me afastar. Se alguém fica cobrando alguma coisa de mim onde não estou obrigado, se alguém vai ficar me condenando em tom de dono da verdade sem que eu lhe deva nada, não vou querer ficar amigo dessa pessoa; vou querer é distância. "Você não pode aceitar, você não pode se deixar levar, vocês têm que se levantar, vocês têm que se insurgir." Eu não tenhoquê nada.
Não estou querendo minar o movimento nem justificar apatia. Estou resmungando, isto sim, contra uma hostilidade mal endereçada.
Se muita gente reagir como eu, vai ficar difícil esses caras terem adesão. Ocupam-se tanto de fazer política que se esquecem de ser políticos.
***
Às vezes, estou na fila para atendimento em uma sorveteria, ou em uma lanchonete, ou em semelhante comércio. O balconista pergunta a quem está à minha frente.
-- Quer gelo? (ou: "quer cereja?", "ponho calda?", "vai amendoim?", "é com mostarda?")
-- Pode ser.
Como assim, "pode ser"??? Quem está pagando é você! Quem tem o ônus de definir como quer o sanduíche (sorvete, refrigerante) é você! Quando dizem "pode ser", não estão dizendo como querem, mas apenas autorizando o atendente a escolher como ele quiser: se põe ou não põe. Estão permitindo que ele defina, estão dizendo que tanto faz.
Comigo é mais direto. "Sim, por favor" (e o "por favor" só está ali por educação, que favor não é) ou "não, obrigado". Só. Sem essa de "pode ser".
Gente que não se define, não se afirma, não sabe o que quer!
EOF
13 janeiro 2009
Resolvido o problema na faixa de Gaza
EOF
12 janeiro 2009
Papo de maluco
Sábado de manhã, o telefone tocou.
-- Bom dia.
Silêncio.
-- Alô, olá, quem fala?
Entrou uma senhora com sotaque levemente português.
-- Alô. O sinhoire queire falar com quem?
-- Eu? Não, minha senhora, fui eu que atendi. O telefone tocou e eu atendi.
-- Como? O sinhoire ligou e o sinhoire mesmo atendeu?
Tem cada uma!
***
Uma de muitas coisas que odeio é ser chamado de "meu querido". Especialmente por vendedores, balconistas, telemarqueteiros e assemelhados.
***
Recém-lidos:
Batman #156 (junho de 1963), segunda história;
Nineteen Eighty-Four, de George Orwell.
EOF
09 janeiro 2009
A paródia é a da própria Paramount
Smallville costuma ser elogiada por seu conteúdo intrínseco, como série. Quanto a sua relação com a mitologia do Super-homem, até hoje só li gente ou neutra ou falando mal. Pelo que leio, há razões para isso; o criador (foge-me o nome) faz muita coisa diferente do que estava estabelecido nos quadrinhos. Exigências do formato, que alguns fãs não vêem (pré-acordo ortográfico) como adaptação, mas como desrespeito.
Agora, Star Trek, o novo filme. Quando o primeiro trailer estreou, falei bem à beça, e ainda falo. É um trailer para os fãs da antiga. Respeitoso, com o tema de espaço, a música da série, a voz do Nimoy, e a homenagem à nave como símbolo das conquistas humanas.
E sai o segundo trailer. Uma b*sta. É igual a todos os insuportáveis trailers de filmes de ação: 24 fotogramas piscantes por segundo, todos de cenas diferentes, pra você nem conseguir identificar o que viu. Parece que eles se esforçam para a audiência ter ataques epilépticos. E tambores, tambores, tambores, explosões, correria, tiros faiscantes. Uma m***a.
Veja só: não estou falando mal do filme, mas do trailer. Pelo que já li e vi, entendo que o filme não terá compromisso com o cânone, mas não espero esse compromisso. Ao contrário, há tempos vêm declarando que é reboot na franquia, começa tudo de novo, tal como a Galactica de agora. Então, vão falar mal, dizer que ele não respeita a tradição, mas a proposta não é mesmo de respeitar a tradição.
Percebe como a queixa é parecida com a de Smallville? Então. Alguém percebeu antes. Dá só uma sacada neste vídeo genial (mas só depois de ver o segundo trailer acima).
EOF
Gente que merece
Os três linques com que mais concordei até agora (e nem são os mais engraçados):
http://peoplewhodeserveit.com/2008/11/08/29-douche-who-wear-sunglasses-inside/
http://peoplewhodeserveit.com/2008/11/14/34-slow-walker-sidewalk-blocker/
http://peoplewhodeserveit.com/2008/12/12/55-no-umbrella-etiquette-lady/
08 janeiro 2009
Dedicação de fã
BOMBÁSTICO!
Adventure Comics #271 (abril de 1960), primeira história;
Superboy #86 (janeiro de 1961), terceira história;
01 janeiro 2009
Pra ficar orgulhoso? Ou preocupado?
Só de farra -- e também porque parece que eu sou competitivo em matérias como essa --, fiz o teste. São perguntas simplinhas, sobre fundamentos da História das instituições políticas dos Estados Unidos. Você consegue responder algumas coisas com base no que vê nos filmes.
Pois bem. Acertei 76%.
É pra ficar orgulhoso ou preocupado? O resultado mostra o quanto somos aculturados abaixo do Equador. E, se superei o americano médio em matéria das instituições políticas deles, fico pensando: essa é a mesma nação cuja suposta crise (crise de cuja existência duvido) está supostamente afetando a economia mundial, e que se mete em tudo quanto é buraco dizendo trazer a democracia.
(Sim, eu sei que o Secretário de Estado não é o cidadão médio. Não fuja do assunto.)
Então, deixei-lhe este comentário.
"Jon, I am worried. I am Brazilian. Have always lived in Brazil. Yet I scored 76% on the test. Granted, I am a lawyer and Brazilian constitutional Law is mostly a copy of American constitutional Law, so we end up studying the foundings and whys of your Constitution. Still!
"And yes, I would vote for you, on other grounds: you are a scifi fan, a comics fan, and literate. This should suffice in this day and age! :) (...)
"BTW, still love your Crisis on I. Earth pages! Have you noticed that Marv Wolfman links to them on his main blog page? Way to go, man!"
EOF